O MÉTODO ARC DA HARV ENGLISH PROGRAM: UMA ABORDAGEM INTERACIONISTA E COMUNICATIVA PARA O ENSINO-APRENDIZAGEM DE LÍNGUA INGLESA
Teacher Thabyson
10/27/20255 min read
1. Introdução
O ensino de línguas estrangeiras tem evoluído nas últimas décadas em direção a metodologias mais centradas no aluno e na comunicação. No contexto digital, essa mudança demanda práticas pedagógicas que conciliem autonomia, interação e suporte pedagógico eficaz. O Método ARC (Assistir, Repetir e Conversar), desenvolvido pela Harv English Program, surge como resposta a esse cenário, combinando o potencial das aulas gravadas com momentos de acompanhamento ativo, de modo a integrar teoria e prática comunicativa.
A proposta fundamenta-se na premissa de que aprender uma língua é participar de um processo social mediado, conforme os princípios da teoria sociocultural de Lev Vygotsky (1978). Assim, a aprendizagem não é apenas um processo individual, mas ocorre na interação entre sujeitos, sendo a linguagem o principal instrumento de mediação e desenvolvimento cognitivo.
Ao alinhar-se a esse paradigma, o Método ARC busca oferecer uma experiência de aprendizado interacionista, comunicativa e cognitivamente significativa, que favorece o desenvolvimento da competência comunicativa (HYMES, 1972) e respeita as etapas progressivas de proficiência definidas pelo CEFR (2020).
2. Fundamentação Teórica
2.1 A Teoria Sociocultural de Lev Vygotsky
Para Vygotsky (1978, p. 57), “o aprendizado desperta vários processos internos de desenvolvimento que só operam quando a criança interage com pessoas em seu ambiente e em cooperação com seus companheiros”. Essa afirmação sustenta o princípio central do Método ARC: o aprendizado de língua estrangeira depende da interação mediada e da experiência compartilhada.
No ARC, a interação ocorre tanto de forma direta, nas atividades de fala e compreensão oral integradas às aulas gravadas, quanto mediada, nos encontros mensais com o professor. Essa estrutura permite ao aluno transitar pela Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP) — conceito definido por Vygotsky como a distância entre o nível de desenvolvimento real, determinado pela capacidade de resolver um problema de forma independente, e o nível de desenvolvimento potencial, determinado pela capacidade de resolver o mesmo problema sob orientação de um adulto ou em colaboração com pares mais experientes (VYGOTSKY, 1978).
Assim, o papel do professor no Método ARC é o de mediador cognitivo, oferecendo suporte linguístico, afetivo e estratégico. Esse acompanhamento contínuo é o que distingue o método de abordagens tradicionais baseadas apenas em exposição e memorização.
2.2 A Abordagem Comunicativa de Ensino de Línguas
A Abordagem Comunicativa (Communicative Language Teaching – CLT) surgiu nas décadas de 1970 e 1980 como uma reação ao ensino estruturalista e gramatical, priorizando o uso da língua em contextos reais. Para Hymes (1972), a competência comunicativa envolve não apenas o conhecimento das regras gramaticais, mas também o domínio das regras de uso social da linguagem — isto é, saber quando, onde e com quem empregar determinadas expressões. Littlewood (1981) reforça que a comunicação é tanto o meio quanto o objetivo do aprendizado linguístico. Assim, o ensino deve promover oportunidades para o aluno usar a língua em situações autênticas, o que exige metodologias que aproximem o processo educacional da realidade comunicativa.
O Método ARC adota integralmente esse princípio. Nas etapas de “Assistir” e “Conversar”, o aluno é exposto a situações comunicativas reais, com contextos culturais e pragmáticos autênticos. A língua é tratada como um instrumento de ação social, e não apenas como um sistema de regras. Essa perspectiva favorece a aquisição natural da fluência e o desenvolvimento da autonomia comunicativa.
2.3 O Uso de Chunks Linguísticos e o Léxico como Base da Fluência
O Lexical Approach, proposto por Lewis (1993), defende que o aprendizado de línguas ocorre predominantemente por meio da memorização e reutilização de unidades lexicais — os chamados chunks, expressões fixas ou semi-fixas que carregam sentido completo em contextos comunicativos.
Segundo o autor, “language consists of grammaticalized lexis, not lexicalized grammar” (LEWIS, 1993, p. 95), isto é, a gramática é uma consequência do uso lexical, e não o contrário.
O Método ARC incorpora essa visão ao privilegiar o ensino de expressões autênticas, em vez de frases isoladas. Durante a etapa de “Repetir”, o aluno pratica chunks de alta frequência, como “How’s it going?”, “Can I get a coffee?” ou “I’ve been meaning to…”, internalizando padrões sintáticos e pragmáticos que permitem fluência espontânea e naturalidade discursiva.
Essa abordagem contribui para reduzir a tradução mental e acelerar o processo de automatização da fala.
2.4 O CEFR como Referência de Estrutura Curricular
O Common European Framework of Reference for Languages (CEFR) é um documento normativo internacional que estabelece níveis de proficiência linguística e descreve as competências comunicativas esperadas em cada etapa. Segundo o Council of Europe (2020, p. 28), o CEFR “proporciona uma base comum para a elaboração de currículos, exames, materiais e programas de ensino de línguas”, promovendo transparência e coerência nos objetivos educacionais.
O Método ARC foi desenvolvido com base nos descritores do CEFR para os níveis A1 e A2, contemplando as quatro habilidades fundamentais — compreensão oral, leitura, produção oral e escrita —, com ênfase nas dimensões de produção e interação oral. Essa referência garante ao aluno uma percepção clara de seu progresso e alinha o curso aos padrões internacionais de avaliação linguística.
3. Estrutura e Aplicação do Método ARC
O Método ARC se estrutura em três fases complementares que promovem um ciclo contínuo de aprendizagem:
Assistir (A) – O aluno assiste a aulas gravadas curtas, com foco em contextos comunicativos reais, onde observa o uso natural da língua e é estimulado a responder e reproduzir expressões.
Repetir (R) – Nesta etapa, o aluno repete chunks e estruturas relevantes, fortalecendo a memória de trabalho e a automatização linguística. O princípio da repetição significativa, defendido por Lewis (1993), é aqui aplicado para consolidar o vocabulário ativo.
Conversar (C) – O aluno aplica o conteúdo aprendido tanto nas atividades de fala incluídas nas próprias aulas gravadas, quanto nos encontros mensais de acompanhamento, nos quais há interação com o professor e feedback comunicativo.
Esse processo cíclico — assistir, repetir, conversar — cria uma espiral de aprendizagem autônoma, na qual cada etapa alimenta a próxima, promovendo retenção, engajamento e fluência.
4. Resultados e Impactos Observados
Relatos de alunos da Harv English Program apontam uma melhora perceptível na autoconfiança ao se comunicar, bem como na fluência oral e compreensão auditiva.
Os participantes destacam o caráter interativo e motivacional das aulas gravadas, que os convidam a responder oralmente, além da relevância dos encontros mensais, que consolidam o aprendizado com orientação pedagógica direta. Do ponto de vista teórico, o Método ARC representa a aplicação prática da visão socioconstrutivista de Vygotsky, integrando tecnologia e mediação docente.
Sob a ótica da abordagem comunicativa, ele transforma o aluno em usuário ativo da língua, e não apenas receptor passivo de conteúdo.
Os resultados observados indicam que a combinação entre autonomia, interação mediada e prática comunicativa constitui um caminho eficaz para o ensino de inglês em ambientes digitais.
5. Conclusão
O Método ARC da Harv English Program articula fundamentos teóricos consolidados da linguística aplicada com práticas pedagógicas inovadoras do ensino digital contemporâneo. Inspirado pela teoria interacionista de Vygotsky (1978), pela Abordagem Comunicativa (HYMES, 1972; LITTLEWOOD, 1981) e pelo Lexical Approach de Lewis (1993), o método oferece uma alternativa viável e cientificamente embasada ao ensino tradicional de línguas. Ao integrar o uso de chunks linguísticos, aulas gravadas interativas e acompanhamento contínuo, o ARC promove não apenas o aprendizado da língua inglesa, mas o desenvolvimento da competência comunicativa e sociocultural do aluno, em consonância com o CEFR (2020). Dessa forma, o método propõe um novo paradigma para o ensino online de inglês, baseado em imersão ativa, autonomia guiada e prática comunicativa significativa.
Referências
COUNCIL OF EUROPE. Common European Framework of Reference for Languages: Learning, Teaching, Assessment (CEFR). Cambridge: Cambridge University Press, 2020.
HYMES, D. On Communicative Competence. Philadelphia: University of Pennsylvania Press, 1972.
LEWIS, M. The Lexical Approach: The State of ELT and a Way Forward. Hove: Language Teaching Publications, 1993.
LITTLEWOOD, W. Communicative Language Teaching: An Introduction. Cambridge: Cambridge University Press, 1981.
VYGOTSKY, L. S. Mind in Society: The Development of Higher Psychological Processes. Cambridge, MA: Harvard University Press, 1978.